Encontramo-nos à beira-rio e ele propõe-nos uma viagem num qualquer barco à deriva. Seguimos à mercê do destino das águas. Num olhar breve e entardecido, observamos. Procuramos o azul do céu, o verde da água, o murmulho da corrente; sentimos o seu cheiro e ouvimos as melodias dos pássaros. Sentimos a força dos ventos ou a neblina da madrugada. Vagueamos, passamos por pontes de afetos e vamos de encontro ao sol, onde as histórias se desenham no horizonte. E neste inebriar da Natureza, nas margens do rio são transportadas palavras de poesia, libertadas para o mundo, adormecendo as sombras das águas, rumo ao seu destino…
“O Destino das Águas” é um livro onde a poesia da vida vem ao nosso encontro, trazendo-nos o respirar de um Douro que é nosso património...
Benedita Stingl comemora, em 2018, 25 anos de carreira artística e literária.
Um percurso de palavras e imagens que compartilham as suas ideias e os seus pensamentos.
“Um trabalho rigoroso e exigente de alguém cujo raro é o dia em que não escreva. Com disciplina, com dedicação e com exigência.”
Avelina Ferraz
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São José é talvez uma das figuras da História menos relembrada. Ele representa aquela personagem paterna, altruísta, homem que tratou e educou uma criança que sabia não ser sua. Um mártir no seu próprio tempo, cuidou de um futuro que não lhe pertencia. E, no entanto, pouca atenção é dada ao homem que do pouco que tinha, tudo deu a quem iria mudar a história para sempre.
O pseudónimo Zé d’Altar é um tributo às pessoas que ficam nos memoriais das capelas, mas não no altar-mor.
O primeiro livro de Paula Lourenço é sobre a perda, a intimidade, a esperança e a resiliência; sobre lidar com os despojos de algo abandonado por alguém, muitas vezes a própria narradora. Deambulando entre as esferas da autobiografia e da ficção, este conjunto de poemas sente-se como um suspiro profundo e demorado, honesto numa época atípica de tão pouca veracidade emocional e comoção.
More info →Poemas são atos de vida, e falar / dos sentimentos / que brotam / em cada pedaço de tempo / quebra o encanto, / o sagrado mistério / que a existência É!, assim nos diz a autora de Provações. E nós poderíamos ficar por aqui de forma a não defraudar qualquer sentimento que, depois de manifestado, se poderá perder em vagas suposições. Pois, falar da poesia de Avelina Vieira é de facto ficar aquém do oceano sentimental que ela encerra.
Nas suas palavras quase sempre libertas de qualquer artefacto gráfico ou convencional, existe um plano poético onde cada palavra é uma simples palavra. Simples, isolada, mas poderosa, quando associada a um todo.
A Rafaela gosta de brincar com as palavras. E com elas leva-nos para mundos fantásticos, ou como ela diz “….viajamos sem sair do lugar.”
Tem já uma marca própria de escrita e cada texto seu seduz-nos para novas e mais leituras. A alegria e a ironia divertida, pinceladas nos seus versos, proporcionam-nos, de facto, diferentes emoções, enquanto os lemos.
(...)
“A imaginação é mágica”, diz a autora…
Convido, então, todos os leitores, pequenos e graúdos, a deixarem-se envolver pela magia contida nos versos deste livro. Às crianças, em especial, peço que se deixem contagiar pela paixão da Rafaela pelo processo criativo e que escrevam, também, os seus livros mágicos!
Parabéns, querida Rafaela!
«Se a poesia é o berço da língua de um povo, nestes poemas temos o pulsar das emoções nas veias da louca paixão, cujo sangue é a tinta que nela brota como um rio que corre para o mar. Aquele mar que o autor tanto invoca como sendo o lugar dos seus segredos e das suas declarações de amor, sob o teto da noite com a lua como testemunha.
Como gostaria de
sentir a beleza da maresia
suas ondas em Ti a ondular
com ternura o teu corpo abraçar
Todas estas nervuras, ora poéticas ora sensórias, são eivadas de saudade e desejo plangente no poético sentido.
São lastro de vivência de um homem assumidamente apaixonado com aspirações únicas, mas comuns ao mais comum dos mortais, o amor e a felicidade que tanto reclama e proclama.»
Manuela Bulcão (in Prefácio)
More info →A liberdade de expressão é um dos maiores direitos que conquistamos enquanto sociedade livre e democrática.
Sem com essa mesma liberdade atentarmos a liberdade do próximo, ou querermos deturpar, falsear ou atentar aos valores dessa mesma sociedade, devemos, pois, cada um per si, exprimir, expressar e dar voz às diferentes ideias. Sabendo também que com isso deveremos tolerar e conviver pacificamente com a diversidade.
É essa diversidade de pensamentos, com responsabilidade, que também torna uma sociedade próspera e progressista.
São sobretudo temas como o amor, a amizade, a partilha, a fraternidade, que o leitor encontrará nestes poemas. Também eles, na sua diversidade de pensamentos e expressões. Os meus.
A. Dos Reis
Laura Valsa traz à poesia o ritmo das suas pulsações em diálogos improváveis que, como certo, apenas têm uma morada interior e as suas vozes que alternam e encenam uma chegada ao cume do despojamento de tudo o que distrai do amor.
More info →“Este livro exibe um intertexto circular e andante, haurido na compleição erudita e no cuidado de cavar fundo o chão de cada lugar. A conjugação de Regina Correia, lúdica e telúrica, lembra-me uma concha. Não só por rumorejar o mar e se quedar inerte, mas por sugerir uma turbante de sedimentos.
Filinto Elísio
(poeta)
No princípio era o Verbo, a palavra fundadora e criadora do entendimento entre os homens. O princípio deste livro é o Lugar, o espaço de pertença de todos e cada um, não importa a sua situação geográfica, política, social, económica, religiosa. As fronteiras não existem na Conjugação dos Mapas.
Anabela Almeida
(professora e investigadora)”
Neste conjunto de poemas podemos acompanhar o caminho trilhado pelo autor na exploração do desconhecido e na procura de uma nova sabedoria.
O desconhecido, o nosso condicionamento, o sonho, o inconsciente, o transcendente e a infância são alguns dos temas principais da obra.
Como garantia da sua identidade, Benedita Stingl recompõe, mais uma vez, através da poesia, a memória. (...)
More info →“Este livro exibe um intertexto circular e andante, haurido na compleição erudita e no cuidado de cavar fundo o chão de cada lugar. A conjugação de Regina Correia, lúdica e telúrica, lembra-me uma concha. Não só por rumorejar o mar e se quedar inerte, mas por sugerir uma turbante de sedimentos.
Filinto Elísio
(poeta)
No princípio era o Verbo, a palavra fundadora e criadora do entendimento entre os homens. O princípio deste livro é o Lugar, o espaço de pertença de todos e cada um, não importa a sua situação geográfica, política, social, económica, religiosa. As fronteiras não existem na Conjugação dos Mapas.
Anabela Almeida
(professora e investigadora)”
Este é o quarto livro de poesia de Sónia Sultuane — Sonhos (2001), Imaginar o Poetizado (2006) e No Colo da Lua (2008) — e que se inscreve numa singular trajetória de uma escalada em que o acento na sensação se afirma como inapagável imagem de marca. Marca que adquire agora novos contornos, já insinuados em No Colo da Lua, onde claramente o misticismo se posiciona para funcionar como expressão apoteótica (ou superação?) da volúpia sensorial que define o estilo criativo desta voz que se insinua nesta e noutras margens do Índico.
E é logo o título que nos prepara, não para uma rutura, ou inversão, mas para uma espécie de aliança estruturante entre o pendor sensorial e o apelo místico. Roda das Encarnações convoca necessariamente as doutrinas sobre a transmigração da alma ao longo de tempos imemoriais, de vidas anteriores, de emoções não resolvidas nessas mesmas vidas. Isto é, aquilo a que vulgarmente se chama karma ou destino e que teria a ver com o ciclo de intenções, ações e consequências que precisa ser quebrado para ultrapassar e resolver uma espécie de bloqueio encerrado… na roda das encarnações.
In prefácio de Francisco Noa
«Este livro de Valério Guerra apresenta uma coletânea de poemas de enorme vivacidade, que surgem de jorro, de uma inspiração límpida e cheia de afetos, exposta numa constelação de imagens múltiplas, apenas materializadas em contacto direto com os seus leitores.
Valério Guerra dirige-se ao seu leitor num discurso envolvente, criando interpelações contínuas e observando percursos mentais que oscilam entre uma observação acutilante do mundo e do meio e o resultado desta observação, pelos caminhos das histórias que vai contando.
O leitor encontrará aqui declarações de mistério e espanto, que acarinham e apoiam pensamentos otimistas sobre o belo e sobre o mundo. Encontrará também o desencanto, a revolta, a angústia e até o medo, sobre o mesmo mundo e as suas encruzilhadas. São declarações de uma vida cheia, colorida e atenta ao circuito de intervenção calcorreado ao longo dos anos de viagem. (…)»
Luísa Magalhães (do prefácio)
Em “Reflexos transversais” encontramos sessenta poemas que denunciam o crescimento de Ricardo Tavares. Distribuídos por quatro anos (2008, 2009, 2010 e 2012), os poemas mostram como o seu autor olha principalmente para o outro e o vê a diferentes luzes, de acordo com a sua própria caminhada. (…)
“Reflexos transversais”, iniciais de Ricardo Tavares, é uma obra que marca o crescimento do seu autor e que mostra, também ao próprio, como recentramos o nosso pensamento durante os quatro anos que fazem a passagem da adolescência para a entrada no mundo dos adultos.
Anabela Pinto, in Prefácio
Quem nos dera um novo tempo sem morte, sem ausência e sem saudade!
O PESO DOS PASSOS desperta em nós a conquista da imortalidade, e Benedita Stingl explora nele todas as consequências do maior sonho do homem, que só pode ser atingido através do amor.
Avelina Ferraz
(editora e produtora cultural)
«“Perante a beleza poética que ‘Canção de Outono’ me
proporcionou, posso afirmar que o nome de Ludger de
Carvalho estará muito em breve no pedestal da nova geração
de bons poetas de S. Tomé e Príncipe.”
Olinda Beja
Escritora são-tomense
“Ora, o que torna este livro de poesias um livro
sugerível, é a ousadia com que o autor,
de forma invasiva, adentra nos nossos sentimentos
vividos e ‘resignifica-os’ com o pincel
de poesia e a tinta da paixão e do amor.”
Euclides das Neves
CEO da Livraria Non, São Tomé e Príncipe»
«Espuma das Madrugadas é um livro de questionamento, sobre a atmosfera poética e introspectiva:
Lídia Praça captura a magia da madrugada, criando uma sensação quase onírica. A descrição da transição entre vigília e sonho é delicada e envolvente, convidando-nos a mergulhar nesse estado de suspensão entre o real e o imaginário.
As metáforas são bem escolhidas e reforçam a sensação de leveza e transcendência.
O texto, poético, mantém um fio condutor claro: a madrugada como um portal para a criatividade e para um encontro profundo com a própria essência.
A obra de Lídia Praça tem uma qualidade reflexiva e sensível, bem adequada a um ensaio poético ou a uma introdução a um diário de escrita noturna.»
Nota de editora
More info →O que não vês aqui é o que verdadeira-mente te queria escrever / E eu nem sei se as palavras coincidem com o que quero dizer-te / Sei que fiquei em silên-cio e tão cheia de palavras / Sei que há letras que calçam sapatos de dança, le-tras que fazem muito mais / do que pa-lavras, letras que se arrepiam, letras que comem a carne dos / sonhos, letras que têm insónias, letras que cospem no vazio, letras que se / desencontram e que têm medo do escuro [...]»
More info →"O eco das minhas pátrias representa a onda sonora
da língua portuguesa que se propaga no mundo. Contudo,
este livro é muito mais do que a reflexão do som que
retorna à origem depois de ter soado noutros lugares.
Ele assume-se, verdadeiramente, como a essência de um
povo humanista e universalista que ousa receber e dar.
O eco das minhas pátrias é Portugal no mundo. É
Porto de Graal, mas é também a primeira grande vaga de
globalização, assinalada pelos descobrimentos e é, ainda, a
miscigenação, a tolerância e o respeito com que abraçamos
os povos. É exaltar Camões, Fernão, Pessoa,
Torga e Junqueiro. É peregrinar e voltar a casa!”
“Ao nos tornar cúmplices de seus pensamentos, a autora
nos carrega para um mundo ao mesmo tempo lírico
e distópico – o lugar das almas que amam –, e, contudo,
nos exibe almas que espelham o nada. Seu monólogo
interior nos revela uma consciência jovem, embora nos
deparemos, muitas vezes, com uma senhora experiente
a perceber a realidade do seu entorno” ... “Beatriz
Aquino não está brincando de escrever. Da alcateia de
escritores, ela sobressai- se como loba apta a permanecer
entre alguns lobos mais velhos. E uiva, amaldiçoando
nosso pertencer a esse universo imenso, escuro e impiedosamente
eterno...”
Ricardo Ramos Filho
«Num traço contínuo, mas pouco linear, conta-se uma história de luto e superação, entre versos que foram crescendo e mirrando, de acordo com as subtilezas e dificuldades da vida. Assim mesmo é a doença mental. E assim mesmo é também a variabilidade do nosso dia a dia.
Da intimidade procura-se a partilha por mais pessoas que com estes poemas se possam identificar e, com isso, compreender-se um pouco mais. Espero que funcionem como o abraço que não foi dado quando tanto o precisavam ou o choro que teimou em não se materializar, apesar de tão necessário.
Sejam quais forem os obstáculos que nos esperam, espero que sejamos capazes de abrir as asas e voar, em uníssono, numa retirada que não é uma despedida, mas uma viagem que tem início e fim, um objetivo final e, daí, um recomeço.»
In contracapa Voo Raso
Este livro é uma Ode ao Marco de Canaveses, à sua Natureza, às suas belezas paisagísticas, às suas gentes… à vida.
More info →“Passeata pelas vozes” transmite ao leitor sentimentos
de alegria, tristeza, amor e esperança, nele a autora
define-se como alguém capaz de compreender tudo
aquilo que a inquieta, bem como o mundo que a rodeia.
A poesia é lírica e mostra-se apaixonada por tudo aquilo
que existe dentro e fora da realidade da autora, que usa
a natureza como linguagem para se expressar. A obra é
uma “abertura para novos rebentos” que são descritos
com emoção e plenitude, chegando ao leitor com uma
poesia de rara beleza.
(...) e então começa a ser tempo de recriar o natal (desta vez este) quer um presépio família tradição (o pai a mãe o filho o jerico a vaca e o mais sem precisão) quer também (não importa a incongruência) um pai natal bonacheirão bota afiambrada barbas brancas rosa nas faces olhos sóis carro puxado a juntas de renas(…)
More info →“EU SEI, Maria Stingl, que a nudez hoje é um elemento muito explorado, porque ao contrário do que se pensa somos preconceituosos com o nu.
Recordo A INSUSTENTÁVEL LEVEZA DO SER e o exercício do espelho de uma das suas personagens, enquanto leio e releio este livro. JE SAIS é feito com o corpo e com o olhar e causa rebuliço.
Não nascemos (os humanos) com roupas. Nascemos revestidos com a pele, que em experiência cultural e não biológica não serve de véu, aquele que nos foi posto naturalmente sobre o corpo.
Mas estar nu pode ser descobrir a pele, essa que alguém pode olhar quebrando a privacidade e a necessidade de exposição.
Maria Stingl fala-nos ou escreve-nos sobre olhar o nu: um olhar que inspeciona, que busca algo sob a roupa: observar a partir de insinuações e imaginar a arte em ficar com roupa e fazer o observador imaginar o corpo nu.
Há uma pele por debaixo da roupa... e sim, nós sabemos, EU SEI.”
Avelina Ferraz
More info →(…) Neste pequeno livro, leio / sinto o mundo de Fabíola. As pessoas que ela vê, os sentidos toldados por uma emoção, o amor e a esperança, mas também a crítica. Há passado, presente e futuro. E há aquilo que motiva tantos de nós para a escrita: a ideia de que podemos, através da palavra, chegar ao Outro. Diria que esse é o propósito que Fabíola acalenta todos os dias, nos seus pequenos e grandes gestos, nos silêncios e partilhas e na escrita que a toma de assalto.
E ter a escrita por missão é traçar no destino um ofício solitário que só brilha quando é lido por Outro.
Fabíola sabe-o e ainda bem.
Patrícia Reis
In Prefácio "Esquírolas"
CASA MATERNA talvez seja sobretudo uma morada, um território pessoal ou marca identitária: a minha. Aqui se encontram caricaturas de tipos sociais, figuras reais, notas sobre ideias ou sensações, paisagens, ambientes inesperados, pormenores e palavras em festa, rubras de excitação, desgastadas ou alucinadas, mas sempre genuínas.
É um discurso sintético plasmado em textos que se completam e dialogam entre si, mas díspares também. O leitor irá atribuir-lhes a classificação que entender, se lhe parecer importante.
Quando sentir que anda aos solavancos, que alguns versos parecem atirá-lo borda fora, que há poemas violentamente prosaicos e prosas raivosamente poéticas, pode não ser uma mera impressão. Os textos dizem-se para dentro e para fora. Gostava de imaginar que CASA MATERNA é também um lugar onde nos podemos todos encontrar, uma zona de concórdia onde polémicas estéreis e temas inutilmente fraturantes não são levados a sério. Mas haverá sempre tempo para pequenas provocações marginais entre mim e o leitor: este é um diálogo translúcido e dinâmico onde nos entendemos, nos arranhamos timidamente e nos questionamos.
Luísa Fresta
More info →A arte poética de Pacheco de Miranda Santos radica num tríptico que o tem acompanhado em toda a produção literária desde o primeiro livro, editado em 1978, a que deu o belíssimo título “ Raízes que não morrem”
More info →Avelina Vieira é uma escritora transcendente, fora do comum, invulgar. Escultora e pintora, transporta para os seus livros verdadeiras telas da vida. Pinta com as palavras, constrói esculturas feitas de livros.
Vê o mundo com olhos de aguarelas, com pincéis de genialidade e traços de originalidade.
A realidade transforma-se aos seus olhos e os seus textos revelam-se para o leitor verdadeiros quadros de letras.
E há descrição, há introspeção, há intimidade no que se lê, mas há também musicalidade e um olhar o mundo diferente e arrebatador.
Neste livro de “dois livros” há afetos, textos dedicados a pessoas que marcaram o percurso da autora, e há passagens da sua vida, formas de apresentar o mundo aos outros.
«Oferece-nos José Paulo Santos um conjunto de oitenta poemas a que deu o título de O Invisível do Voo.
Publicar é sempre um acto que, por si só, merece um especial cumprimento. Porque quem escreve se expõe, se desnuda, sujeitando-se à natural e desejável apreciação crítica dos leitores, de tal modo que a obra já não é do artífice (apenas), mas sobretudo daqueles a quem ela se destina. É o destino a cumprir-se, pois mesmo quem escreve "para a gaveta" acaba por alimentar, lá no fundo, a expectativa de que alguém leia aquelas palavras, ainda que só quando da existência humana se haja libertado.
(…)
Termino, de modo a cumprir o objectivo simples a que me propus: convidar cada um dos leitores a embarcar nesta aventura que é sempre acompanhar o sujeito poético nas venturas e desventuras do tempo (real e psicológico) que nos tocou viver. E esta é uma aventura da qual saímos sempre enriquecidos e diferentes, ao menos por nos confrontarmos com um diverso olhar. Como defende Heidegger, substância e forma são importantes nas mesmas dimensões em qualquer obra de arte. O filósofo aspirava à perfeição, esquecendo-se que só muito raramente o toque de Midas transforma um de nós num instrumento que perdura séculos, ou melhor, que é atemporal e intemporal.
É no invisível, no que está por detrás do espelho, e no respectivo voo, altaneiro, qual falcão, que José Paulo Santos nos convida a entrar. Fi-lo descomprometido e aspergido por uma espécie de tábua rasa aristotélica. É esse o convite que reforço!»
Praia, agosto de 2021.
Jorge Carlos de Almeida Fonseca
In Prefácio O Invisível do Voo
«"… Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar, ir ou ficar, desistir ou lutar.", citação de Cora Coralina.
Ser poeta é sentir de forma diferente, é tentar alcançar o céu, tirar os pés do chão!
Ser poeta é ver com os olhos da alma e beijar com o coração. Viver pelo mundo, dar largas à imaginação, ou, quem sabe, fingir a verdade por proteção.
A poesia de António Melo, por vezes, é o ranger das palavras em escombros de cama quente, outrora paredes invisíveis de dor, peregrinação ou pecado.
Após ler com muita atenção, transcrevo, entre vários escritos, um poema de rara beleza, adornado em perfume poético de adocicado odor, plasmado por vastos sentidos estéticos, onde os sentimentos são a seiva que os alimenta.
Almas espelhadas em desapegos e insónias!...Morte súbita, a finalização das feridas da Morte.»
Manuela Bulcão
Escritora e Coordenadora de projetos culturais
In Nota Introdutória
De Maria Ramajal Jorge, também autora do livro infantil "A Minhoca Bailaroca", editado com a chancela da Editorial Novembro, este livro de Sonetos revela a sensibilidade de uma autora que, à medida que os anos passam, se torna mais sensível e sabedora de como transmitir as suas emoções. "Sou assim… Um ror de anos atrevido Que há-de ser sempre aquilo que tem sido E que nunca por nunca será Zero!"
More info →«Em A Fronteira do Perpétuo, encontramos esta (…) consciência de um mundo contemporâneo com os seus excessos: o ruído, a ferocidade do consumismo, a impossibilidade do silêncio. (…)
É, portanto, a percepção do vazio (…) que emerge nestes poemas de Teresa Poças, com a força vulcânica de uma voz jovem que deseja ainda encontrar aquela equação perfeita, aquela página limpa, onde as palavras redimem do vazio e abrem caminho para o perpétuo. O eu, que estabelece relação com eles, nós, vós, tu, parece dividir-se entre o que vê e o que pensa. Divide-se, mas não se fragmenta. O eu revela, como ponto de partida, a consciência de uma espécie de ruído, provocado pelo excesso de conhecimento das sociedades humanas, para, logo de seguida, se proteger, em objectos concretos. Esses pormenores, que sabe ser o que importa, situam-nos em elementos unificadores da dispersão do pensamento: o amor genuíno, longe das peias convencionais; a música que restaura a beleza do mundo e os silêncios plenos de promessas. (…)»
Conceição Brandão in Prefácio
«O livro 50 Anos da Minha Existência é composto por 50 poemas inéditos da escritora Isabel Leitão, que expressam diversos temas e realidades, despertando os sentidos dos leitores e instigando os mesmos à reflexão sobre o mundo que os rodeia. A sua paixão pela música e pela arte, áreas que exerce, complementam esta obra. Existem, por isso, ao longo do livro imagens pictóricas que espelham cada poema, relacionados com o mar, com o amor, com a vida. Os leitores podem ainda apreciar a sua voz em três músicas interpretadas, numa sonoridade clássica, que encanta o mais profundo do nosso ser. Os três poemas escolhidos que trouxeram tal engenho são marcantes, significativos e apelam à mudança, à força, à liberdade: Inusitada Mentira, Cego Véu de Ignorância e Violência Doméstica.
Este livro marca um percurso de vida, uma trajetória onde a arte, a cultura e o amor pela língua portuguesa são a montra maior do trabalho de Isabel Leitão.»
In contracapa
50 Anos da Minha Existência
Observando a importância das discretas raízes para a sobrevivência das árvores, podem encontrar-se paralelismos relativamente à sua relevância para a nossa identidade. Os poemas que integram este livro alimentam-se de entrelaçadas raízes que nos constroem através da ligação a territórios, na matriz da terra, da intrínseca relação com os traços do tempo ou dos tempos que nos vão marcando ao longo do caminho e através do papel das efabulações, recortes imaginários de interpelações várias. Por isso (e para além disso), há um brevíssimo poema que questiona:
«Se destruíres raízes
- Diz-me:
O que resta?»
Portentosos, universais, necessários, bem ao jeito de Alberto Caeiro e de Sophia de Mello Breyner, os Sonetos sem Chave e outras Mágoas, de Virgílio Carneiro, vão abalar os Homens que andam correndo na rua, apressados, sem que ninguém os persiga;
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