Este livro é o relato de uma vida profissional, e de algum enquadramento pessoal, de uma jornalista que esteve mais de trinta anos na RTP, onde viveu a infância, a juventude e a idade adulta, com uma profissão dinâmica e de grande entusiasmo.
Uma carreira feita quase sempre em ligação à atualidade, à pesquisa e a grandes programas, apresenta¬dos por jornalistas de referência, que tratavam temas e entrevistavam personalidades relevantes.
Não é uma história feita de ribalta. É o relato corrido de memórias de quem viveu no mundo televisivo e nele se desenvolveu, achando que tinha coisas para contar e que podem interessar.
Um testemunho directo e sem pretensões excessivas.
More info →«As memórias sabem mais do que nós, não tenho dúvidas. Este é um livro de memória e pós memória; as que retive e as que me foram transmitidas. Recordações que ficaram num pedaço de papel encontrado entre as folhas de um livro, um postal, uma foto, e lá vamos nós remexer nas memórias que muitas vezes são sofridas. Outras alimentam e transportam-nos ao presente. Intensas, porque as leves não tiveram ocasião de o ser. São minhas e estão-me cravadas na alma com uma tinta que alimenta a caneta para contá-las.
São histórias de vidas de uma Comporta antiga, que têm nome, mas poderiam não tê-lo. Vestem a pele de uma comunidade. Contadas por um narrador que lhes conhece por dentro os recantos, os espaços sombrios e aprendeu a desviar-se das urtigas porque as sentiu na pele. São histórias de uma gente laboriosa que sussurrou ao vento as dificuldades.
Este é o meu contributo para que não morra a memória coletiva de um pedaço de uma África Metropolitana, feita de suor e muitas lágrimas, mas também de uma alegria e riqueza cultural genuínas, que não precisa de grandezas materiais para sê-lo.»
In contracapa
Comporta Aberta - Retratos de uma Comporta Antiga
A evolução da Herdade da Comporta e, no fundo, de toda a zona que vai de Tróia a Melides, tem acontecido de forma imprevisível desde o 25 de abril de 1974 e mais vincada nos últimos três ou quatro anos. Para uns, foi uma oportunidade e um enriquecimento resultante do acesso à propriedade edificada. Para outros, consistiu na desgraça de uma agricultura que se adivinhava próspera e indestrutível, mas que se revelou pouco atrativa. As duas realidades confrontam-se e contradizem-se.
A fragmentação da herdade, um ato de gestão controlada, abriu portas a caminhos e consequências imprevisíveis que só o futuro poderá revelar.
Há uma coisa que a Comporta, no sentido do todo que a forma e é conhecida, tem de perceber: Não pode, em circunstância nenhuma, traçar um caminho que amanhã se possa dizer que está como o Algarve.
A degradação paisagística e ambiental, a preservação dos recursos naturais tem de ser contabilizada como desenvolvimento. Não perceber isso é ganhar hoje para perder amanhã.
Podem até comprar o Céu e guardá-lo só para si. Mas, a dura realidade indica que a semelhança entre ricos e pobres é que ambos morrem e as terras ficam com tempo para se restaurarem.
«(...) Neste romance, Cidalisa Guerra espanta-nos quando borda sonhos e desejos nos recantos do tempo. Catarina, Aurora, Sofia, Vicente e Guilherme são pedaços de um puzzle em três dimensões cujas peças agarramos desde o início da leitura e que, até ao fim, por muito que achemos que a imagem está quase completa e acabada, surge um novo espaço para perturbar a nossa imaginação. (...) Entre Lisboa, no coração de Portugal, e África, com vários outros países pelo meio, lemos um livro sobre a geografia do amor que, como uma bússola, aponta e sublinha bem os intervalos que a vida proporciona, com milagres para serem recordados, numa viagem constante para a qual cedo somos desafiados sem saber o término da mesma. Seja em amores consentidos ou escondidos, em amores santos ou pecadores, agrilhoados pela culpa, como no caso do padre Xavier, homem viril e tão desejável como qualquer outro debaixo das vestes eclesiásticas, em que o amor acontece.
Sendo o amor consumado ou não, somos sempre desafiados a questionar a nossa forma de amar e de sermos amados. Quase tanto como o amor pela leitura e por romances multicoloridos como este que deixa memórias indeléveis. A cada viragem de página, Cidalisa Guerra convida-nos a parar, a pensar, a observar, levando-nos depois a concordar que realmente todo amor é amor.»
In prefácio de Ana Paula Almeida